terça-feira, setembro 22, 2009

Ácido láctico

O ácido láctico ou lático ( do latim lac, lactis, leite), é um composto orgânico de função mista ácido carboxílico - álcool que apresenta fórmula molecular C3H6O3 e estrutural CH3 - CH ( OH ) - COOH. Participa de vários processos bioquímicos, e o lactato é o sal deste ácido.

Pela nomenclatura IUPAC é conhecido como ácido 2-hidroxi-propanóico ou ácido α-hidroxi-propanóico.

Propriedades

O ácido lático apresenta isomeria óptica:

  • Destrógiro: d-ácido lático
  • Levógiro: ℓ-ácido lático
  • Racêmico: d,ℓ-ácido lático

Físicas

Obtenção

Fermentação láctea

A obtenção de ácido lático com enzimas ou microorganismos vivos podem produzir os isômeros destrógiro ou levógiro, dependendo da enzima envolvida no processo.

Reação química em laboratório

Reagindo o etanal com uma mistura de cianeto de sódio e ácido sulfúrico:

CH3 - COH + HCN ( NaCN + H2SO4 ) → CH3 - CH ( OH ) - COOH

A obtenção que não envolve enzimas produz, geralmente, o ácido lático racêmico.

Ocorrência

É encontrado no suco de carne, leite azedo, nos músculos e em alguns órgãos de algumas plantas ou animais.

Aplicações e usos

Curiosidades

Respiramos mais depressa durante um exercício muscular, porque consumimos mais oxigênio. Nossos músculos, porém, são dotados de um mecanismo que garante a continuação do esforço, mesmo na ausência do oxigênio: a respiração anaeróbia, onde a glicose se decompõe na ausência do gás oxigênio, reproduzindo ácido lático. Quanto maior a atividade muscular, mais ácido lático se acumula no músculo, tornando-o fatigado e incapaz de contrair-se, produzindo cansaço e até cãibras.

Ácido láctico, nem bom, nem péssimo

O ácido láctico é um subproduto do metabolismo anaeróbio. E o que é metabolismo anaeróbio? De uma forma mais simplificada,
existem dois metabolismos energéticos: o metabolismo aeróbio e o metabolismo anaeróbio.

O metabolismo aeróbio é aquele em que a quebra da glicose com uma molécula de oxigénio fornece energia:

Glicose + Oxigénio ® CO2 + H2O + Energia

No metabolismo anaeróbio a quebra da glicose ocorre na ausência de oxigénio formando ácido láctico:

Glicose ® Ácido Láctico + Energia

O metabolismo aeróbio fornece maior quantidade de energia do que o metabolismo anaeróbio. Esses metabolismos actuam
conjuntamente durante a actividade física. A predominância de um sobre o outro se dá conforme a duração e a intensidade do
exercício. Exercícios de baixa intensidade e longa duração tem uma predominância do metabolismo aeróbio, havendo, portanto,
uma baixa concentração de ácido láctico. Exercícios de alta intensidade e curta duração têm um predomínio do metabolismo
anaeróbio, ocorrendo aumento na concentração de lactato.

O ácido láctico, por ser ácido, diminui o pH da célula, inibindo as reacções enzimáticas que ocorrem dentro da célula. Na
percepção geral do corpo, o indivíduo passa a ter uma sensação de fadiga generalizada, sentindo o corpo "pesado",
iniciando uma hiperventilação (a pessoa começa a ficar ofegante). Quanto melhor treinado aerobicamente o indivíduo, menor
será a produção de ácido láctico.

Bem, até agora, vimos o ácido láctico como sendo mau para o nosso rendimento. Mas, e quando ele se torna benéfico?

Outra forma de diminuir a concentração de ácido láctico pelo organismo é aumentando a remoção dessa substância. O ácido láctico pode ser removido pelo suor, pela urina, tapado pelo bicarbonato ou ainda utilizado como substrato energético pelo fígado e pelo coração. Nesses dois últimos casos, vemos que uma molécula de lactato pode também ser utilizada como forma de energia, sendo de grande valia para o organismo.

Existem testes, como por exemplo o teste de lactato ou teste eroespirométrico, que identificam o ponto onde a produção de
lactato é maior que a remoção, ocorrendo um aumento na concentração de lactato o que chamamos de limiar anaeróbio.

Enfim, como tudo na vida tem dois lados, o ácido láctico não é diferente. Além de causar a sensação de cansaço e mal estar
durante o exercício, ele também é utilizado como fonte energética.

Por Marcelo Barros

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