terça-feira, fevereiro 26, 2013

Pensamento

O fim do longo, inútil dia ensombra.
A mesma esperança que não deu se escombra,
Prolixa...A vida é um mendigo bêbado
Que estende a mão à sua própria sombra.

Dormimos o universo. A extensa massa
Da confusão das coisas nos enlaça,
Sonhos; e a ébria confluência humana
Vazia ecoa-se de raça em raça.

Ao gozo segue a dor, e o ozo a esta.
Ora o vinho bebemos porque é festa,
Ora o vinho bebemos porque é dor.
Mas de um e de outro vinho nada resta.

Fotobibliografia 1902/1935 Fernando Pessoa

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